Cabriúva
Não precisa pedir. Basta nos querer.
Tenho muito para nos oferecer.
Por natureza: rebeldia e obediência,
tua atenção total é a sentença
no carrossel de emoções a dois,
na mútua entrega e com eloquência.
Fingir controle não traça a pertença.
Um homem que liberta com doçura
e atitude — não só com palavras —,
mas com a segurança de seu mando,
constrói reinos de absoluto encanto.
No corpo inscreve o legado amoroso,
indelével, que dialoga com toda
a ancestralidade e torna imperturbável
o que o teu corpo, a mente e a alma
não conseguem negar:
foram feitos para ao dele se integrar
na dança e na pausa elegante do cerco,
da força, da rendição e da mútua perdição.
Faz repousar a embaladora
volúpia de mercúrio ígneo — sem apagar —,
pela graça da exclusividade inequívoca
do elevado êxtase estético lapidado
com a quentura da troca de brio,
nós dois alheios a qualquer assobio.
Sob a luz da generosa lua balsâmica,
com a cama forrada pela florada da cabriúva,
tão venerada pela herança indígena,
em plena Mata Atlântica, na cena romântica,
leio nas curvas talhadas deste amoroso olhar
que celebro perfeito, de tão lindo,
feito em ônix sedoso, e concluo enfim:
és nascido para ser muito além do arbítrio.
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