PENDURICALHOS

            Paulo Sérgio Rosseto

Eu sou o cabide o prego a argola
O gancho torto por onde escorre
A baba que ao tempo me atrela

Não há simetria no que prendo
Não há cordas sem meus nós
Nem desvios sem estar pelo meio 
 

Tudo o que me sobra de inteiro
Engancha-se no começo
E de tanto balanço desalcança
Da altura das minhas mãos

Somente estou aqui
Porque antes alguém veio
E se permaneço
Será porque alguém advém

À espera enquanto posso
O tempo pendura-se em mim


@PSROSSETO

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