O DOCE QUE ME MATA
Doce da pior fruta,
Aquela ácida e espinhosa,
Quanto mais te como
Maior a minha luta.
Corroendo minhas entranhas,
Vai fazendo o seu estrago,
Não, esse poema não tem manha,
É só sobre coisas em que esbarro.
Quanto açúcar nesse fel,
E nem doce ainda está,
Azedo e podre mel,
Que vai me matar.
Na verdade já morri,
Morte das piores,
A vida não mais me sorri,
Felicidade? Nem as menores.
O sol está frio e tenso,
Seus raios não me acertam,
O frio já é denso,
Geleiras me cercam.
Sou, sei lá, fui, nem sei,
Quem sou eu nessa fila
Que vai dar lá no nada?
Ninguém! E não me grila!
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