Paulo Sérgio Rosseto


De início odiei o interruptor que não acende
Vários cliques e um silêncio de fruta pútrida
Na lateral da sala

A corrente elétrica te evita como se fosses úmido
Porque esqueceste teu ofício
De simplesmente te dares à luz

Tantas vezes te forcei a abrir claridades 
Para que eu passasse com meus botões
E agora exausto preferiste silenciar

Mas amarei-te assim inútil
Porque tua falha me ensina
Que o facho é uma colher
Que não se prende a dedos
Que matiz não é flor que se possa colher
Quando a mão que a clama é a própria treva

Apertarei teu corpo contra a parede
Uma e outra vez
Como quem aperta o peito
De um amigo que parte

E se não reviveres ficarei contigo
Na tua glória de coisa vencida
Porque até o fracasso tem sua razão

Temos todos a mesma duração 
Por fim o trocarei por outro
Como trocarão de mim

 

@psrosseto

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