Testemunho de Fé de Um Ateu - Baseado em Fatos Reais
Testemunho de Fé de Um Ateu
(Baseado em Fatos Reais)
Como podemos descrever fatos das nossas vidas que fogem do nosso conhecimento? Do nosso cotidiano? O que entendemos como sendo o normal para as nossas vidas?
"Este texto vem narrar uma história real, que aconteceu de fato. E esta narrativa é um testemunho, um agradecimento a alguém — não sei a quem —, mas que estava em algum lugar além do tempo e do espaço e me enviou uma mensagem, a qual mudou totalmente a minha vida."
Sou um cidadão que não tem ligação com uma religião específica; respeito todos os credos, mas não sigo nenhuma ideologia teológica. Apesar de ter uma educação católica, passando do batismo à crisma e pelos grupos carismáticos, depois de alguns desencontros, acabei por me distanciar, até a total separação entre mim e esta religião cristã. Meu conceito é o de que a religião prende o ser humano a um meio religioso em que ele acredita, distanciando-o do seu respectivo caminho para Deus.
Sendo livre dessas facções de fé, o ser humano pode se aproximar do Deus de fato, sentindo a sua essência, que classifico como o "Trinômio Sagrado de Deus" — Paz, Amor e Simplicidade. Pode-se dizer que esta é a minha religião, se é que pode ser classificada como tal.
Minha vida sempre foi dedicada aos estudos, trajetória esta muito sofrida devido a diversos contratempos que me levaram a ter pequenos êxitos e grandes fracassos.
Com muito custo, consegui terminar o segundo grau, hoje Ensino Médio. Tentei por várias vezes concluir um curso de nível superior — economia e direito foram as escolhas —, mas, ou devido aos custos de uma faculdade particular, ou devido à falta de apoio social, acabei caindo pelo caminho. Ainda fiz cursos diversos, sendo o mais importante o de comissário de voo: o sonho de voar.
Também não obtive sucesso; o curso foi concluído, mas em um momento em que as empresas aéreas estavam em crise e, por isso, não contratavam ninguém. E assim a situação continuou até que desisti de tentar ingressar nessa profissão.
O trabalho não ajudava muito, mas tenho muito a agradecer por ter permanecido tanto tempo nele, de 1994 até 2004. Como garçom, aprendi a ter a humildade necessária e o espírito de luta para nunca aceitar a derrota como resposta, buscando sempre novos caminhos.
Assim, acabei me tornando guia de turismo de uma empresa americana em janeiro de 2008. Sinto grande orgulho desse fato, e a empresa tem imenso carinho por mim. Ficamos separados por um tempo, mas voltamos em definitivo e continuamos lutando o bom combate. Dezesseis anos se passaram e, confesso, parece que cada dia é o primeiro dia de trabalho.
Mas voltando à minha história, em meados de 2008, voltei a sonhar em entrar para uma universidade, mas sempre ficava buscando qual era a minha área, meu estilo, minha profissão.
Meu cunhado chegou até mim e disse, de certa forma, surpreso:
— Mauro, por que você não tenta cursar uma universidade na área de História? Tem tudo a ver com você. Olhe ao seu redor, a história faz parte da sua vida! Veja seus livros, seus vídeos, suas estatuetas. Só você não percebe isso?
Incrível. Eu tenho, hoje em dia, mais de 500 livros e, em sua maioria, são ligados às mitologias greco-romana e egípcia. Isso sem contar as estatuetas desses deuses, semideuses e heróis, além das culturas celta e nórdica. Tenho uma verdadeira adoração por História Antiga e fico imaginando os tempos longínquos e as histórias que se passaram nessas épocas. Isso me empolga e faz com que eu reflita sobre o presente e o que ele nos revela para o futuro.
O questionamento do meu cunhado foi como um raio de luz que se acendeu diante de mim, na minha cabeça. Sempre tratei a ciência da história como um passatempo; nunca imaginei me profissionalizar nessa área.
Tendo sido acordado pelo meu cunhado e apoiado pela família, comecei a verificar as possibilidades de tentar um vestibular em 2010. Mas, com 35 anos e há pelo menos uma década sem prestar um exame público ou até mesmo me dedicar aos estudos, o desânimo acabou me abatendo e, no meio de todo esse contexto, aconteceu o pior.
Meu irmão caçula, Daniel Veríssimo, foi levado pelos anjos. Uma doença súbita o levou em questão de dias, o que destroçou a família. Meus pais e a minha irmã ficaram como zumbis por todo o ano de 2009 e 2010, principalmente pelo fato de ele ser o filho caçula e xodó da família, além de ser um verdadeiro atleta, de corpo escultural, e por ter sido sepultado justamente no dia 10 de maio daquele ano, que caía exatamente no segundo domingo de maio, o Dia das Mães.
Passei vários dias em claro e incontáveis noites sem dormir; a minha vida tinha perdido o sentido. O complexo do irmão mais velho aflorava à flor da pele: tudo era minha culpa, a morte dele era culpa minha.
Por que ele e não eu!? Por que alguém que vivia na paz e no amor tinha que morrer enquanto eu, que vivia de noitadas em meio ao álcool, drogas lícitas e ilícitas, ficava para ver sempre mais um dia, sem qualquer sequela ou dor em relação ao ambiente noturno em que eu vivia!?
A ex-namorada de Daniel, Natália, me ajudou muito. Ela foi praticamente adotada por nós como forma de tentar conter a dor de ambos os lados. Graças a ela, suportei a dor da perda e evitei, por várias vezes, cometer suicídio por falta de razões para viver. Ela me orientou sobre como me inscrever e fazer um novo vestibular; quase me obrigou a fazer o teste para ingressar em uma universidade federal.
Optei pela UFF (Universidade Federal Fluminense) por já ter tentado Economia por lá em 2001, ocasião em que fiquei na segunda fase por ter dormido durante o tempo de prova. Infelizmente, na época, eu ainda trabalhava como garçom e os colegas de profissão não entendiam os meus objetivos. Em vez disso, faziam zombaria e pouco caso, o que dificultava ainda mais o cenário em que eu estava para lutar por uma vaga em uma universidade.
No dia anterior à segunda fase, pedi para me liberarem mais cedo para que pudesse descansar; no entanto, tive que fechar a casa quase às 4 horas da manhã. Morando longe do trabalho, acabei não tendo tempo suficiente para dormir. Isso foi um golpe fatal nos meus sonhos de ingressar em uma faculdade, pois o sono veio forte e acabei dormindo quase três das quatro horas de prova, ficando sem qualquer chance de concorrer a uma vaga.
Isso foi extremamente doloroso, deixando-me com uma tristeza profunda, mas logo superada. A vida continua e sempre continuará para quem não tem medo de vencer.
Entre alegrias e desânimos, acabei perdendo o prazo de inscrição do Enem 2010. Na minha inocência, não sabia que tinha que prestá-lo. Sem o Enem, não havia como fazer o vestibular para a UFF naquele ano; restava-me lutar e aprimorar os meus conhecimentos para o exame do ano seguinte. Mais uma tristeza e mais uma decepção na minha vida: não iria poder fazer o vestibular de 2010 da universidade que escolhi e, pior, teria que esperar pelo menos um ano para ter uma outra oportunidade.
Então, como já era de costume, abaixei a cabeça, chorei e tentei esquecer. Já era um hábito. Estava começando a pensar que era o meu destino: pensar, projetar, lutar, perder e desistir. A área poderia mudar, mas, no final, tudo terminava do mesmo jeito. Eu não conseguia entender o que estava errado comigo. Não era uma má pessoa, lutava pelo bem, mas tudo à minha volta só me lembrava que eu estava no lugar errado e que nada mudaria esse quadro.
Bem, é nesse exato momento que meu testemunho começa. Alguém, de algum lugar no espaço-tempo, me enviou uma mensagem em sonho — uma visão que mudou a minha maneira de pensar, a minha crença e o meu jeito de viver. Eis a visão que tive:
"Durante uma noite de sono, fui levado em sonho para a frente da Escola Municipal Dr. Cícero Penna — coincidentemente, o colégio onde estudei da primeira à quinta série. Eu não estava sozinho; havia outras pessoas comigo.
Não via os seus rostos, apenas os seus corpos. Todos estavam vestidos de branco, como se estivessem preparados para o Réveillon do Rio de Janeiro, mas era dia e tudo aquilo não fazia sentido.
Os portões estavam fechados. A sensação era a de que tínhamos chegado atrasados, fora do prazo, mas continuávamos ali, na frente do colégio, à espera de algo que eu não entendia o que poderia ser.
Assim como eles, eu também esperava, até que o inesperado aconteceu: os portões foram abertos mais uma vez. Ninguém estava junto a eles; abriram por conta própria, como uma mãe que abre os braços para receber seus filhos.
Todos os que estavam ali começaram a entrar na escola.
Quando comecei a andar em direção à entrada, uma menina pediu a minha mochila emprestada. 'Seria falta de educação dizer não', pensei. Então, emprestei o meu material para ela e aguardei a devolução, mas a menina não o trazia de volta. Quando olhei novamente para o Cícero Penna, vi que os portões começavam a se fechar.
Fiquei desesperado ao ver que iria ficar do lado de fora. Corri, coloquei o meu corpo dentro do colégio e deixei o braço do lado de fora; assim, a porta espremia o meu braço, mas não fechava, pois havia um entrave: o meu braço.
Não sei por qual motivo fiz isso, mas sabia que, se eu saísse para tentar pegar a mochila, a porta iria se fechar e, assim, eu estaria fora; e, se eu entrasse sem a mochila, eu também estaria fora.
Então, me mantive ali, aguardando que algo diferente acontecesse.
Nesse estado de total estresse, acabei vendo uma senhora muito bem trajada. Era a professora do jardim de infância da minha irmã. Não lembro o nome dela, mesmo porque a única vez que a vi foi em 1982, quando eu tinha sete anos. Ela dava aulas no Colégio Tomás de Aquino, no Leme, onde a minha irmã começou a estudar na infância.
Essa senhora foi até aquela menina que estava com o meu material, pegou-o dela, veio em minha direção e me devolveu a mochila azul. Dessa forma, eu pude, finalmente, entrar na escola!
Lembro-me ainda que, no sonho, subi pela escada do lado esquerdo e, no segundo andar, direcionei-me até a sala onde fiz a minha primeira série, que ficava na esquina da Avenida Atlântica com a Rua República do Peru. Só que o espaço era diferente daquele em que eu tinha estudado na década de 1980. Não havia qualquer referencial que eu pudesse usar para comparar com o que eu vi enquanto estava dentro daquela sala.
Um detalhe estranho: só estavam os alunos presentes. Não havia professores. Quando eu entrei, olhava para os alunos e eles olhavam para mim, mas a mesa do professor lá estava, vazia e sem vida."
Acordei de sobressalto, como se tivesse tomado um susto. Tão logo encontrei minha mãe, contei-lhe o sonho, detalhe por detalhe. Ela achou interessante, mas o Enem já havia passado; a Universidade Federal Fluminense estava fora dos planos para 2010. Então, a saída era me preparar para 2011 e passar. Essa era a meta. Lembro-me de que tive esse sonho no início de outubro de 2010. O Enem foi encerrado no fim do mês de setembro desse mesmo ano.
Num belo dia, umas duas semanas depois de ter vivenciado essa visão no sonho — confesso que já até havia esquecido dos detalhes do que havia sonhado —, lembro-me de que o meu telefone tocou lá pelas duas horas da tarde. Era Natália que, vociferando, quase aos berros, disse-me que a UFF tinha reaberto as inscrições para quem não havia se candidatado no prazo para fazer o Enem.
Eu disse, brincando, que ela estava louca; ela, rispidamente, mandou-me calar a boca e ligar a TV.
Nos telejornais, a notícia explodia como uma bomba: algumas provas do Enem foram extraviadas por meios ilícitos para facilitar a vida de alguns indivíduos e tudo foi descoberto. Como não se sabia a extensão do problema, a alternativa do governo foi a de adiar o Enem.
Todas as faculdades teriam que reagendar as suas datas de prestação do Exame Nacional do Ensino Médio, mas a Universidade Federal Fluminense foi contra e manteve o seu calendário acadêmico tradicional, em primeira e segunda fases. Para isso, reabriu as inscrições para o vestibular por mais duas semanas.
Meu corpo estalou como se eu tivesse sofrido uma descarga elétrica. Na hora, me lembrei dos portões do Cícero Penna reabrindo diante de todos. O sonho por completo veio à mente, e fiz a pergunta vital: como? Como posso ter visto isso acontecer antes de acontecer? O Cícero Penna era a UFF reabrindo as portas para que eu e os outros pudéssemos participar da festa do vestibular. Só podia ser isso!
Agradeci a Natália pela boa notícia e fui rapidamente fazer a minha inscrição, ainda em estado de choque. Não obstante, após a surpresa veio a preocupação. Eu teria um grande problema pela frente: como não havia feito a inscrição no período certo e tinha deixado tudo para o vestibular do ano seguinte, não me preparei para qualquer exame.
Dessa forma, não havia outra opção senão a de estudar por conta própria. Como eu iria me atualizar em um mês? Como competir com milhares de estudantes altamente atualizados e preparados para essas provas e disputar uma vaga para uma das faculdades de História mais famosas e importantes do Brasil?
As provas iriam acontecer no início de dezembro. Não haveria qualquer possibilidade de estar no nível dos demais candidatos, isso eu já sabia; além disso, História estava numa média de seis a sete candidatos por vaga.
Pensando no sonho, fiz a inscrição e, não tendo alternativa, voltei-me para as provas anteriores, as quais passei a estudar sozinho em casa. Eu estava quase em um sistema de aquartelamento: sem material, sem tempo e sem perspectivas de sucesso nessa grande aventura. Mas aquela visão não saía da minha mente.
Fiz o possível para acreditar no impossível — que eu conseguiria estar na segunda fase da Federal Fluminense —, por tudo o que, supostamente, havia sido mostrado a mim naquela noite.
Chegou o dia da primeira fase. Desta vez, eu estava descansado e pronto para a grande batalha. Ao chegar aos portões do Campus do Gragoatá, em Niterói, as entradas por onde passam os carros estavam fechadas. Por coincidência, uma delas foi levantada para que um carro de passeio pudesse entrar e não foi abaixada; eu entrei por ali.
Quando cheguei ao Bloco C, onde iria prestar o exame, fui direcionado para o segundo andar, do lado esquerdo da área central.
Ao entrar na sala, fiquei paralisado. Nesse instante, tive a primeira revelação de que a visão do meu sonho era real. Sem nunca ter pisado na área da prova da primeira fase, percebi que o espaço em que iria fazer o exame era o mesmo da minha visão — o correspondente à sala da minha primeira série no Cícero Penna. Tudo estava no seu respectivo lugar, até as falas das pessoas eu tornei a escutar, só que desta vez era real!
Cheguei a rir diante do que estava presenciando; não conseguia acreditar no que estava vendo. O monitor perguntou se eu estava bem, pois a minha atitude era a de um homem totalmente insano. Naquele instante, eu disse que sim, que nunca havia estado tão bem em toda a minha vida. A única coisa que não batia era o monitor de plantão, pois, no sonho, não havia ninguém na posição dele. Mas, vida que segue, já sabia que iria passar.
Quando saiu o resultado da prova, veio a confirmação de que havia passado para a segunda fase. Um verdadeiro milagre! Eu fui bem em todas as matérias, mas acertei apenas uma questão em Matemática — e acertei porque marquei errado! Se tivesse marcado certo, com certeza teria sido eliminado.
Marquei a alternativa (a) na questão referente a uma função matemática no caderno de questões e assinalei a letra (b), por falta de atenção, no cartão de respostas. Só não infartei porque achava que havia acertado as questões de porcentagem, mas errei todas!
Não conseguia acreditar como tinha errado oito de nove questões da disciplina e, a única que acertei, foi por engano. Acredito que, por ter deixado a matéria por último, a exaustão acabou por me dominar, além da ansiedade extrema.
Nesse momento, veio a imagem de Maria, mãe de Jesus, à minha mente — sem saber por qual motivo, não me perguntem, jamais saberei responder. Entreguei-me de corpo e alma à Sua graciosa santidade e amabilidade, além da Sua misericórdia infinita. Agradeci, sem saber como, pela visão que havia tido, prometendo que iria ter fé e nunca deixar de acreditar que tudo aquilo não fora apenas um sonho. Na realidade, havia recebido uma grande e boa nova, originada das Suas maravilhosas mãos.
Posso ter deixado de ser católico e até ter sido quase um verdadeiro ateu, pelo que já mencionei. Mas nunca deixei de ter um carinho mais do que especial por Maria — seja pelo elo íntimo com a minha mãe, seja pela admiração que tenho pelo ser fantástico que é a mulher, pela luta contínua que elas enfrentam para conquistar o seu espaço no dia a dia. Não sei dizer, mas sempre me sinto bem quando penso e falo coisas a respeito de Maria de Nazaré.
Fui para a segunda fase muito feliz, pois o sonho passou a ser o combustível para que eu superasse as dificuldades, a ausência do meu irmão caçula e as incertezas da vida.
Ao receber o resultado da segunda fase, percebi que havia ficado na posição 260, ou seja, a oitenta vagas de me classificar para o curso de História. Eram 180 vagas disponíveis para a área pela qual havia optado, pelo que já narrei. Só que, devido aos bônus do governo aos alunos oriundos de escolas públicas e aos demais que fizeram o Enem atrasado, acabei perdendo 21 posições, ficando oficialmente na posição 281: cem vagas além da posição mágica e tão sonhada por mim. Isso ocorreu porque o meu segundo grau fora finalizado em 1992 e eu não tinha feito o Enem.
Minha alegria foi embora por completo. Ficar a 100 posições da vaga pretendida era muita coisa; mesmo assim, acreditando no sonho, não desisti e sempre dizia a mim mesmo que eu era um "Cidadão UFF". Pelo menos já sabia o que significava a menina me pedindo a mochila e o sufoco que fora entrar no Cícero Penna: eram as reclassificações.
Nesse período, eu fui ao fundo do poço novamente. Quando, em junho de 2011, tive picos de pressão alta e aceleração dos batimentos cardíacos, senti todos os sintomas de um infarto iminente. Só depois de uma bateria de exames — que não acusaram nada — é que foi constatada a depressão seguida de síndrome da ansiedade. Eu tinha medo de não conseguir dormir ou de dormir e não acordar.
A alegria havia abandonado o meu corpo e o meu espírito. A saudade infinita do meu irmão latejava em meu peito como um punhal incandescente, dilacerando cada parte do meu desejo de viver. Somava-se a isso o cenário de poucos clientes que chegavam ao Brasil pela empresa em que trabalhava e, por isso, acabava sempre com muito pouco dinheiro, o qual nunca era suficiente para o mínimo de estabilidade financeira.
A ânsia de saber se realmente entraria ou não na universidade acabou sendo o estopim para que a mente clamasse por uma pausa em meu corpo, pois estava com a vida por um fio, à beira de perder o controle, vendo o suicídio como uma opção bem convidativa.
Mesmo assim, olhava para o céu e dizia: "Por mais que a água que venha a bater no meu corpo seja gélida e o sol não queira brilhar no meu rosto como brilhava antes, jamais deixarei de acreditar em Ti e em tudo o que Tu representas e, acima de tudo, pelo que eu pude ver na visão que me enviaste. Por Ti, a derrota não é e nunca será uma opção!"
O tempo passou, as reclassificações avançaram e o meu nome não era chamado. Já estávamos em julho e os amigos começaram a pedir-me que fizesse a inscrição para o Enem 2011-2012, a fim de prestar um novo vestibular.
Sempre dizia não, que acreditaria até o fim na visão que tive. No entanto, depois de muita insistência — inclusive por parte da minha própria mãe, exaurida de tanto ver o meu sofrimento —, acabei pagando a taxa ao Estado e efetuando a inscrição para um novo exame. Sempre dizia, contudo, à Grande Mãe que me perdoasse pelo que eu estava fazendo; o meu real objetivo era o de aliviar a dor da minha família, a dor da minha mãezinha querida, mas eu nunca deixaria de acreditar que a vaga já era minha.
Na mesma noite, tive uma segunda visão. Estonteante visão. Eis o que vi, acreditem!
"Depois que adormeci, vi que estava sentado junto com outras pessoas em uma sala. Não conseguia identificar onde se localizava aquele espaço; era enorme, o suficiente para abrigar um grupo bem numeroso de pessoas para uma reunião de boas-vindas.
Eu estava a cerca de vinte fileiras de cadeiras da mesa de um senhor forte, que estava chamando pessoa por pessoa. Cada uma, quando era chamada, levantava-se para assinar um documento junto com os seus familiares mais próximos e saía por outra porta, depois de sonoros aplausos, para fazer a festa com a família.
Fiquei maravilhado quando ele chamou o meu nome e, ao me aproximar dele, vi a minha mãe, magistral, com um sorriso indescritivelmente belo, que me aguardava para presenciar... a minha assinatura para o meu ingresso em algo grandioso: o certificado de estudante da Universidade Federal Fluminense!
A resposta que eu tanto esperava, a confirmação de que eu tinha vencido e que agora estava no colo da minha querida e Grande Mãe, e que prosseguiria pelo mar azul e cristalino da vitória. Assinei o meu nome como classificado da instituição na qual tanto ansiei entrar!
O sol brilhava majestoso, como se estivesse lá para dar as saudações de boas-vindas. Nunca tinha visto um dia tão claro e brilhante quanto aquele. Saí com a minha mãezinha daquele lindo local para encontrar os meus outros parentes no salão de festas para festejar o meu ingresso no ensino superior, mas, ao abrir a porta, eu acordei!"
Era a resposta! Não tinha mais dúvidas! A vaga de História era minha! Só que já estávamos em agosto de 2011, quase um ano já havia se passado. Já tinham ocorrido mais de sete reclassificações e só haveria mais duas para o segundo semestre.
Depois destas, o vestibular 2010-2011 teria o seu processo encerrado para iniciar os preparativos para o novo concurso, 2011-2012. No entanto, veio a grande nova!
Às 19h25 da noite de 18 de agosto de 2011 — uma linda e tranquila noite —, estava eu sozinho no apartamento quando resolvi entrar na internet para gastar o tempo livre. Passei por alguns sites e, por curiosidade, resolvi verificar antecipadamente se haviam adiantado algum resultado no Iduff dos candidatos. Caí em prantos quando vi o meu nome na lista dos convocados para fazer a matrícula na Universidade Federal Fluminense: "Parabéns, seja bem-vindo à UFF."
Eu sabia! Eu sabia! Gritava aos berros e chorava ao mesmo tempo, sozinho no meu quarto — aparentemente sozinho, pois eu sabia que Ela estava lá, a Grande Mãe. A emoção foi maior que a razão. Como não havia com quem compartilhar o momento, naquele instante, creio eu, era necessário estar sozinho; precisava ter o universo só para mim.
Minha mãezinha estava na casa da minha irmã e meu pai estava no trabalho, como se tudo fosse propositalmente arquitetado para que, no momento em que fosse receber a notícia, eu não fizesse outra coisa senão fechar os meus olhos e agradecer por tudo. Agradecer a Ela, a Senhora da minha vida.
O meu pai foi o primeiro a chegar em casa e chorou comigo, como duas crianças ao encontrarem seus animais de estimação que estavam perdidos. Depois de muito tempo de solidão, tristezas e incertezas, finalmente eu gritava, com toda a força que havia em meus pulmões, que eu tinha deixado de ser o cão vira-lata, o homem do "quase", aquele que ia e nunca chegava, começava e não terminava. Agora, mais do que nunca, e quase um ano depois do sonho, eu era um Cidadão UFF!
O mais espetacular de tudo isso não foi apenas a convocação para a UFF, foi tudo o que aconteceu logo após o dia 18 daquele mês. O meu trabalho melhorou; tive o melhor outubro, novembro e dezembro da minha vida. A empresa, que estava passando por problemas, teve finalmente a sua melhora e, devido ao meu longo período de fidelidade, eles acabaram por me convocar, em setembro de 2011, para ser o guia oficial no continente sul-americano.
Com eles, pude conhecer lindas cidades como Campos do Jordão, Petrópolis e Penedo, além de Salvador, na Bahia, o estado do Ceará inteiro e Cartagena das Índias — paraíso histórico, tropical e turístico da Colômbia. Pude viajar pelo mar do Caribe e suas ilhas e me tornar um operador de turismo internacional. Tive a minha carteira de guia de turismo e a de motorista custeadas pela empresa, além do meu passaporte, o que me dá a possibilidade de conhecer o mundo inteiro, como sempre quis.
Atualmente, sou gestor em Tecnologia da Informação, historiador amador, filósofo amador, escritor, poeta e tenho a alegria de vivenciar a vida, também, em inglês e espanhol: sou poliglota. Não terminei a faculdade de História, pois o país não dava suporte aos professores para essa área na época; então, optei por T.I.
Ainda estou na mesma agência de viagens, mas agora como CEO, em uma trajetória que já soma 16 anos de convívio e amizade entre irmãos.
Mas voltando ao dia da minha estreia na Universidade Federal Fluminense, no Campus do Gragoatá, Bloco N, o grande dia finalmente chegou. Meu primeiro dia de aula foi quando a minha visão finalmente se consumou (eu não me lembrava desse detalhe).
Queridos amigos, no meu primeiro dia de aula, não houve professores em sala. Eu entrei na sala e só havia alunos, assim como eu tinha visto no final do meu primeiro sonho.
Em primeiro lugar, faço testemunho de que os professores da UFF são pontuais e sempre deram suas aulas no horário. Se não terminei o curso, foi por causa de situações fora do controle da faculdade; no entanto, os sete períodos em que lá estive fizeram com que eu expandisse os meus conhecimentos para além das minhas expectativas, e uso muito do que aprendi no turismo.
Essa bagagem, para quem lida com História, sempre traz uma grande vantagem contra a concorrência.
Em segundo lugar, não sei se era a Grande Mãe que estava comigo por todo esse tempo ou se eram outras pessoas que se dedicaram a me guiar até onde cheguei. Na minha ignorância, faço este testemunho, esta narração, para que, quem vier a ler este conteúdo possa vivenciar e saber o que aconteceu comigo, o que eu vi — ou melhor, o que foi mostrado para mim: o caminho que eu iria trilhar para chegar à vitória de uma etapa tão gigantesca. Por isso, este é o meu testemunho.
De quem, de alguma forma, foi guiado e ajudado por eles, por “Ela” — não sei o porquê, se por merecimento ou pelo destino que trilharam para mim. O que sei é que, de algum lugar, eles nos apoiam, eles nos defendem. “Ela” nos defende.
Não posso afirmar isso com os olhos da ciência, da qual eu sou membro, mas afirmo com o coração e agradeço à minha tão querida e adorada “Mãe”, minha adorada Maria.
É para “Ela” que eu dedico este testemunho, para que todos saibam que, mesmo nos tempos de dor, a Senhora nunca me deixou. Que a minha história ajude muitos que perderam a fé a reencontrar o caminho. Assim como eu reencontrei o meu: o ateu que voltou a ter fé!
Posso não ter uma religião definida, mas tenho Javé, Jesus e Maria em meu coração, eternamente!
Estamos em 2026 e ainda acredito. Não importa a fé: eles estão lá para nos ajudar, para nos orientar e para nos guiar pelo caminho da luz, sejam eles como forem! A eles eu dedico o meu testemunho; para eles eu dedico a minha vida!
Posso não ter religião, mas Maria é o meu caminho!
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