O Julgamento Moral
A sentença do Juiz
Todos vós conheceis minha justiça,
Ela é imparcialmente perfeita.
Conheçam, portanto minha sentença,
Ouvi, vós todos, habitantes da terra.
Eu sempre vi os pecados que Elliot cometia.
Contemplava atentamente seu coração obscurecido.
Meus olhos viram as culpas que o envolviam,
E a soberba que brotava naquele menino.
Nenhum erro é inculpável,
por quê o fofoqueiro queixa-se das novidades?
Será porventura a bondade irreconhecível?
Portanto, não há inocência em uma maldade.
Por que razão ser implacável com os outros,
Se todo homem é, por natureza, falível?
Quando desculpas, exiges o dobro;
Mas, quando és desculpado, julgas-te justificável.
Didaskaleion, por que não combates a corruptibilidade?
Por que não verifica as irregularidades?
Por que não julgaste com equidade,
Preferiste o professor corrupto, ao estudante?
Ekklesia, tu viste teus servos soberbos?
Que brigavam loucamente por textos sagrados?
Tu viste os teus bispos desonestos?
Que pregavam o amor, enquanto os pobres eram explorados?
Oiskos, tu disseste a verdade,
Mas não vi verdade em seu coração.
O amor não deseja maldade,
E tu só desejaste destruição.
Eu conheço todos vocês, mas não sou como vocês.
Todos vós sois imperfeitos, perfeito dentre vós não há ninguém.
A terra julga com evidências, mas eu com o coração,
Se usar de minha justiça, nenhum de vós sairá com perdão.
Arrependam-se, todos vocês são culpados,
Olhei para Elliot, e vi muitos de vossos pecados.
Então, pensem duas vezes antes de falar,
E quatro vezes antes de julgar.
Arrependam-se, nenhuma alma aqui está inocentada.
Vocês querem uma sentença? Já vos foi revelada.
Comentários (1)
Sobre o poema: Julgamento Moral é uma alegoria. Elliott é um jovem acusado diante de um Juiz perfeito por três personagens que representam os ambientes que participaram da sua formação. Didaskaleion (??das?a?e???) representa a escola, que conhece seu comportamento social. Ekklesia (?????s?a) representa a igreja, que conhece sua vida religiosa. Oikos (?????) representa a casa, que conhece aquilo que ele faz em privado. As acusações não são necessariamente falsas: Elliott realmente errou e feriu pessoas. Porém, no fim, o Juiz mostra que os acusadores também são imperfeitos. Quando olha para Elliott, encontra nele alguns dos próprios pecados deles. Por isso, a sentença não é apenas para Elliott: "Arrependam-se, todos vocês são culpados." A ideia central é simples: podemos reconhecer corretamente os erros de alguém e, ainda assim, não ter o direito de nos considerarmos moralmente superiores a essa pessoa.