Castanha-da-guiana
Carrego em mim a oculta
Manman Dilo que se insinua,
deixando o pente à vista
no rochedo Arrouague,
com toda a poesia e malícia,
sendo sagrada e festiva.
Sem desviar de ti, durante
a colheita da castanha-da-guiana,
bem ali, à beira do rio Iracoubo,
deixo a pista — como reza a tradição —
para que por nada me resista,
e o desejo cresça e persista.
És o homem escolhido
para encontrar o pente.
O desejável porvir depende
de um bom acordo,
somente entre a gente,
sobre o que se sente.
Aparecerei ousadamente
nos encontros amorosos
marcados à luz de certas luas,
para me enveredar com
todas as doces manias tuas,
como mulher real e dos sonhos.
E, quando estiveres ausente,
habitarei permanentemente
em ti, do despertar ao adormecer,
para ser o presente perene
de um jeito que me embale
no coração, imparavelmente.
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