Do primeiro amor... (soneto duplo)  -  13/03/2016

Do primeiro amor, ninguém esquece

É sentimento que na vida inteira cresce,

Na alma que ama, o coração floresce

Sentimento intenso que não perece.

 

É esse amor eterno, verdadeiro

Que a alma alimenta no braseiro,

Mantendo na memória do primeiro

Condição dum digno cavalheiro.

 

E este sentimento é tão profundo,

Que em qualquer lugar deste mundo,

O primeiro amor é o mais fecundo.

 

Feliz daquele que recebe a benção

Sacramental da eterna união,

Sentimental desejo do coração !

II

 

Todavia, por certos contratempos

Outros, tão divergentes da vontade,

Não que seja por meros passatempos

Perde-se o amor primeiro, vem saudade.

 

Esta, infinda, trazendo a nostalgia,

Preso à memória o desejo aceso,

Querendo o primeiro amor a cada dia

Como se pudesse voltar ao que é defeso.

 

Tristeza, dor e sofrimentos mil

Ao sentir no peito amor intenso,

Sem puder ser ao grande amor servil,

 

É o amor que a alma não esquece,

Nem o coração o deixa suspenso,

Passa a vida inteira e não perece !

 

São Paulo, 13/03/2016 (data da criação) 
Armando A. C. Garcia 

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