Alhures !   (Soneto)   - 18/12/2017 

Com a alma e o pensamento alhures

Desvairado e absorto, olhei teu retrato,

Na esperança de divisar algures

Teu olhar, até então abstrato.

 

Nada vi, nesse vulcão sem controle

A não ser uma chama que arde só,

Não há cinzas, e onde passa demole

Na superfície, aniquilando sem dó.

 

E nessa queda sem tombar, caindo,

No teu retrato entalhado na moldura

Busco tornar real meu desiderato !

 

E nesse impérvio cismar, mentindo,

Parece ver o esboço de tua figura

Inflectir-se, dando vida ao teu retrato !   

                                  

São Paulo, 18/12/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

 

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