As Contas que Pagamos... - 08/08/2004  

Pagamos segurança particular,

Pagamos altos pedágios nas estradas

As contas de água, são muito elevadas

Eletricidade... a luz temos que apagar.

 

Pagamos imposto de renda no salário,

Gasolina com álcool... ao preço do dólar

Cartão de zona azul, na porta do lar!

De tantos pagamentos me julgo otário...

 

IPTU e aluguel para morar,

ICMS e IPI nos alimentos !

Nas roupas, sapatos, vestimentos;

E cemitério, ao final para enterrar.

 

À justiça, taxas para nos julgar;

Convênio médico, seguro de vida,

Do automóvel, da casa, da ferida.

Condomínio e, até para estudar.

 

Taxas de lixo, licenças p'ra trabalhar;

Nas rodoviárias; até para urinar!...

Ao Banco, para nosso dinheiro guardar

Nas igrejas, pagasse até para rezar !

 

Também, p'ra poder ver, ou poder ouvir

É pagar, sem bufar, ou questionar.

Pagasse para falar e, p'ra sentir

Nalguns Shoppings, até para estacionar!

 

Pelo pouco que temos, temos tanto a pagar

Qual caminho, que começa, e não tem fim...

INSS para poder trabalhar!

Sindicatos e siglas, tais ninhos de cupim

 

P'ra tudo o homem inventa o que pagar

Nada ele faz; se nada poder cobrar

Pergunto meu Deus... p'ra quê trabalhar.

Não será melhor no mato me enfiar?

 

Ao MST acho que vou me engajar

De invasão, em invasão de terra;

Na gleba, o imposto não me ferra

E o governo, me ajuda a sustentar

 

Assim questiono-me, p'ra quê trabalhar

P'ra pagar imposto, nunca terminado...

Eu vou para a roça, cuidar do meu gado,

Ou vou p'ra lagoa os peixes pescar.

 

O que não quero; é tanta coisa pagar...

O que pago é tanto; o que como é tão pouco

De tantos encargos, eu vou ficar louco

Será que compensa eu assim labutar?

 

Na roça, vou viver mais feliz, contente

Livre de tantas obrigações impostas.

E o governo, que hoje me vira as costas

No social; dará ajuda, a mais um carente.

 

Porque terra sem implementos não dá fruto

nem sustento. E pegar o cabo da enxada...

Curva a cerviz, e deixa a mão calejada!

É trabalho que além de escravo, é bruto.

 

No aguardo dos implementos e insumos

O governo vai-nos dando o sustento,

Assim acaba de vez meu sofrimento.

E dou aos impostos e taxas novos rumos.

 

São Paulo, 08/08/2004 (data a criação)

Armando A. C. Garcia

 

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