Alma criada, feita para navegar

no mar da Humanidade,

tem memória caiçara desde

nascença para fazer tudo durar.

 

Sem temer lidar com o tempo

e as correntezas marítimas,

entre pescar peixes e almas,

também aprendeu a escutar,

enquanto tece as suas redes.

 

Quando a guerra se aproxima

com os seus deuses e senhores,

eles sabem manipular e tocar

nas nossas mais íntimas dores.

 

Entre sóis, luares e marés,

para que não nos percebamos

nos espaços sendo abertos,

aprendeu que, antes da guerra,

os seus deuses e senhores

buscam estar entre os fragilizados

dos matizes mais variados.

 

Todos eles premeditam quebras

de confiança, cortar laços,

desligar o discernimento,

os afetos e a comunicação,

para arrebentar povos por dentro.

 

Urge não buscar ordinários tormentos,

porque eles são hábeis em tornar

espaços de vida em confinamentos.

 

É preciso todos estarem atentos:

[Para não nos render, e não haver tropeços.]

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