A idade da Vida

Aos vinte, trinta, queremos mudar o mundo. Somos todos muito corajosos. Eu tinha opiniões sobretudo, assuntos dos quais não percebia nada.
Tinha soluções para tudo.
Faltava-me a tal experiência de vida. Só que entretanto apareceu a vida adulta, este projeto coletivo que ninguém nos explica e para o qual não existe período experimental. Vieram as contas e aquela fascinante experiência de trabalhar o mês inteiro para descobrir que o dinheiro já não está lá. Entre os quarente e cinquenta ainda queria  mudar o mundo. Mas percebi  quanto mais se explica o que se deve e o que não se deve se insiste em fazer o contrário.
Aos sessenta  experienciei uma aventura extraordinária um  propósito de vida  passar uns tempos com o filho, nora e netos. Foi a minha melhor aventura , foi soberbo...
Aos setenta  é alcançar a plenitude da vida, é estar em uma fase em que se tem a liberdade de olhar para trás com orgulho e para o futuro com serenidade, não é mais definida por correrias ou pela necessidade de provar algo a alguém, mas sim pela tranquilidade de saber que o que era importante foi feito. Estar no sofá a ler, ver fotos e recordar boas passagens da vida.
Aos oitenta !!! não sei. Ainda não cheguei lá ainda tenho que fazer mais 10.000 Km. Mas se lá chegar!!! Talvez volte a querer mudar o mundo. Ou! Talvez queira mudar de sofá. Ou!! nessa fase entenda finalmente que o problema não é o mundo , mas sim a espécie á qual eu pertenço...

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