SEM PALAVRAS
Paulo Sérgio Rosseto
Disseram-lhe certo dia:
Não esqueça o riacho
Mas aprenda a dicotomia do oceano
Então se achou instruído de um tanto
A ponto de suas ideias se alongarem
E vir-se douto ao represar o encanto
Desconviver do espanto
Desatentar do tenro fio
Que lhe banhara os pés
Ocupando-se de números
Datas nomes mapas
Que mudaram-lhe os planos do absoluto
Somente depois do tempo adulto
Reencontrando borboletas
Esvoaçando no espelho d'água
De uma bacia
Sentou-se à beira e no entremeio
Não para desdenhar o que sabia
Mas banhar sua sabedoria
Emudecido e mudecido das palavras
Na aragem da poesia
Das águas de onde veio
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