In-versos
Inversos
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Dos viajantes simples EU sou por Mares
horizontais do Tempo a ir pela calma
no meu barco a estar firme, é como a Alma:
e ondas que me atacarem pelos ares...
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Exposto estar à Lua e aos Solares
me é sentir sozinho, sem vivalma...
Amores?: o mental mos amalgama...
Por assim haver dores, vejo males...
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O vertical, o inverso, o vácuo se formam
das águas: – "castelos" ou uma "CAVERNA"...
As razões a que porto me portam?...
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Sentir a Luz Eterna não me alterna!...
Ter-me-á sim o Eso-Mar, pelo que vivo
se não puder crer em Deus Positivo.
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14.8.2016.
José Levio (Lévio)
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Nota de Leitura: "Inversos" (2016) Neste soneto poli-métrico, José Levio desenha uma rigorosa alegoria existencial sobre o isolamento e a perda das certezas. A precisão técnica desta versão depura a musicalidade original de 2016, conferindo ao poema uma cadência quase ritualística. A travessia solitária do eu lírico pelo "Tempo" evoca um mar que é puro reflexo psicológico, onde a oscilação entre a promessa dos "castelos" e a clausura da "caverna" surge como uma clara alusão à Caverna de Platão — o confronto doloroso entre o mundo das ilusões e a lucidez da realidade. Diante do colapso da fé tradicional e da intelectualização do afeto, o desfecho consolida-se com maestria na mesóclise clássica de "Ter-me-á sim o Eso-Mar", o mar esotérico. Mais do que um recurso formal, a estrutura sela uma entrega solene, bela e inevitável ao mistério do desconhecido.