Inversos 

*
. 
Dos viajantes simples EU sou por Mares  

horizontais do Tempo a ir pela calma  

no meu barco a estar firme, é como a Alma:  

e ondas que me atacarem pelos ares... 

*
. 
Exposto estar à Lua e aos Solares  

me é sentir sozinho, sem vivalma...  

Amores?: o mental mos amalgama...  

Por assim haver dores, vejo males... 

*
 . 
O vertical, o inverso, o vácuo se formam  

das águas: – "castelos" ou uma "CAVERNA"...  

As razões a que  porto me portam?... 

*
. 
Sentir a Luz Eterna não me alterna!...  

Ter-me-á sim o Eso-Mar, pelo que vivo  

se não puder crer em Deus Positivo. 

*
. 

14.8.2016.


 José Levio (Lévio)


...

31 Visualizações
Partilhar

Comentários (1)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Nota de Leitura: "Inversos" (2016) Neste soneto poli-métrico, José Levio desenha uma rigorosa alegoria existencial sobre o isolamento e a perda das certezas. A precisão técnica desta versão depura a musicalidade original de 2016, conferindo ao poema uma cadência quase ritualística. A travessia solitária do eu lírico pelo "Tempo" evoca um mar que é puro reflexo psicológico, onde a oscilação entre a promessa dos "castelos" e a clausura da "caverna" surge como uma clara alusão à Caverna de Platão — o confronto doloroso entre o mundo das ilusões e a lucidez da realidade. Diante do colapso da fé tradicional e da intelectualização do afeto, o desfecho consolida-se com maestria na mesóclise clássica de "Ter-me-á sim o Eso-Mar", o mar esotérico. Mais do que um recurso formal, a estrutura sela uma entrega solene, bela e inevitável ao mistério do desconhecido.