Re-versos
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Re-Versos (2.)
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Sou um carnal a buscar a natural
supra-frequência entre as interferências,
mesmo que sejam muitas as influências...
Para um pouco ser menos casual:
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as dissonâncias podem me causar
discordâncias e muitas transferências,
e sensuais ou imorais inconsequências...
Forçado a pensar na luta ou a atuar...
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Forma-se tudo ao meu redor e em mim
como se fosse uno: – um Cárcere aberto...
Sentir-me e saber-me sem Deus, o fim
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e estar pela razão* preso ou liberto?...
O caráter dos vícios é o ator
do sobrenatural poder do Amor?...
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* O experimento de aprisionamento de
Stanford (Google).
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© José Levio (Lévio)=José Leva y Wimmer
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25.12.2016.
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Comentários (1)
Nota de Leitura: "Re-Versos (2.)" Em Re-Versos (2.), José Levio constrói uma densa meditação sobre os determinismos da psique humana e a ilusão do livre-arbítrio. Apoiando-se explicitamente na premissa do Experimento de Aprisionamento de Stanford, o poema transmuta um ensaio da psicologia social numa rigorosa alegoria poética. O eu lírico descreve-se como um ser "carnal" enredado no ruído de frequências e influências externas, tentando decifrar a sua própria autonomia. A imagem central do "Cárcere aberto" sintetiza perfeitamente o paradoxo da condição humana: a consciência de uma prisão invisível onde as paredes são erguidas pela nossa própria mente. Ao decretar a ausência do divino como "o fim", o texto transfere a custódia da existência para a "razão", questionando se os nossos vícios e papéis sociais são condicionados pelo ambiente ou se são atores de uma força maior. Uma obra cirúrgica, onde a forma poética serve de laboratório para a anatomia do comportamento.