Quis ser teu herói.

Quis resguardar-te do mundo, proteger-te dos desejos vãos, das decepções, das esperas e de tudo aquilo que pudesse ferir teu coração.

Quis poupar-te da maldade, dos enganos e dos sofrimentos que a vida, inevitavelmente, reserva a todos nós.

E errei.

Ninguém se fortalece sem enfrentar as próprias tempestades. Ninguém amadurece vivendo apenas sob abrigo.

Por isso, entrego-te agora ao mundo, para que ele te ensine o que meu cuidado jamais poderia ensinar; e ao livre-arbítrio, para que faças tuas escolhas, colhas teus frutos e aprendas com teus caminhos.

Os vasos acolhem as árvores e as sustentam por um tempo, mas também limitam suas raízes e impedem que alcancem toda a sua grandeza.

Assim, eu te entrego ao sol e à lua, à chuva e à estiagem, ao frio e ao calor, às perdas e às conquistas.

Entrego-te ao tempo, à vida e ao teu destino.

E, pela primeira vez, compreendo que amar não é proteger para sempre.

É também saber delegar e acreditar.

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