Amigo do Alheio
Jorge E. Leal
Ou seria um ser demente?
Engana e sabe o que faz;
Afana, vem de mansinho,
Larápio é bem contumaz.
Chapéu colado na mente,
Verme do escárnio e vilão,
Múmia, inferno da semente,
Ladra e vai mentindo então.
Ele mente, tem a mente,
Alma vil desta nação,
Mente rindo eternamente!
Não passará de um bufão...
Mente, mente e nem sente,
Cleptamente é um histrião.
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Amigo do Alheio é uma sátira poética mordaz que resgata a força das clássicas cantigas de escárnio. Através de um ritmo cadenciado e um vocabulário ricamente lapidado, o poeta Jorge E. Leal constrói a caricatura grotesca de um mentiroso contumaz. A obra transita pelo cinismo e pela decadência moral, desmascarando a figura do farsante social e político para reduzi-lo, no desfecho, à sua real condição: a de um mero histrião.