No Amanhã !
Qual barco ao sabor das ondas soçobrando
Luto, estrebucho, exangue sem sentidos,
Então, quero meus despojos abatidos
Com o que sobrar, as contas vão pagando.
Sem arengas, prelação ou falatório,
Quando muito, um lençol da cor da lua,
Cobrindo as partes nobres, mais impudicas
A cabeça descoberta, como adjutório.
Restos inglórios, nulos, sem lembrança
que os recorde, nem olhos para chorar,
Pelo resto da escória à semelhança
Do que outrora foi sonho a naufragar.
Depois, tudo está perfeito, em sua ordem
Inúteis despojos, que os vermes corroem,
Um dia serão pó, cinza, ou quase nada,
Considerai, somos hoje, o mesmo nada.
Deus, dê-me força d’este vazio sopesar,
Coragem a meu corpo e à minha alma,
Para que nesta transição ao apagar,
Tua luz que transfigura, dê-me a calma.
São Paulo, 26/02/2010 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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