FURACÃO

Numaperturbada pressão o vento se enfurece

A chuvadesenfreada se enrola sem dar espera a inocentes

Rebentamportas e partem-se vidros das janelas

Arrancam-seas casas levando tudo com elas

Desesperadas,mães agarram contra si os filhos, impotentes

E gritamsem forças no rastro da morte torturante

Tantadevastação que palmilha o espaço, repentinamente

Estradasinundadas e casas despedaçadas, boiando

Aqui eali uma mãe que dá luz, nos destroços

Mesmo aolado a morte de familiares e gente chorando,

E oescuro que atormenta a descoberta de corpos

Daquelesque se perdem encalhando com os mortos

No moverde assaltos de aproveitadores que sacam sem dó

Multidãofaminta, sem comunicação, no escuro só

Desprotegidose feridos nesse martírio, caem aos poucos

Nopranto do silêncio e no desvario de loucos

Enquantoas sirenes das ambulâncias, afligem o coração

De quemdesesperadamente se refugia na oração

 

Levanta-sea força pela sobrevivência e faz renascer a energia

Numalabuta, não têm sono, nem de noite nem de dia

Limpandotudo e construindo o viver do novo dia!

 

 12-11-2013Maria Antonieta Matos
In  NPE " Sentir D'um Poeta"

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