SOLIDÃO II
Escondo-me na solidão envergonhada
Nem o sol, o campo verde, me consola
Sinto-me desfalecer nesta abrigada
Perante o saque que me fazem, sem ter nada
Sem asas, esquecida, proibida d' aqui morar
Rasgam-me o ventre, tiram-me o sono e o sonho
Arrancam-me os filhos e os netos para emigrar
Tudo é longínquo, tudo é dor, tudo é medonho
Aqui no escuro levo meu sentido a desorientar
"Vivo" acabada, tiritando e a saudade não tem fim
Espero noite e dia por um carinho, para acalmar
Aguardo a esperança, que não vislumbra em mim
Aqui desesperada vejo as flores, a desgostar
Os lagos, os rios, em silêncio sem me bradarem
Nenhuma brisa, não sinto a alma, cega o olhar
Estou sem ninguém, a perecer, olhos a fecharem
Maria Antonieta Matos 10-01-2014
In NPE " Sentir D'um Poeta"