O ESPANTALHO
Para Francisco Carvalho
Vozes ouvi ditando-me petardos
Ousados ditirambos trovas marcos
Outrora pertenci aos Goliardos:
Agora porém faz-se o ouvido parco
Astros vi cujas luzes e estilhaços
Deixaram-me os cabelos eriçados.
Mas ver também enfada e hoje me escasso
O pelo ralo o olhar cinza embaçado
O corpo qual quebrado por um auto
E minh'alma indo abaixo pelo ralo
Se algo tive tomaram-me de assalto
Ou eu mesmo matei, Sardanapalo
Após tanto viver, esse ato-falho,
Que fui? Que sou? - Poeta ou Espantalho...
Vozes ouvi ditando-me petardos
Ousados ditirambos trovas marcos
Outrora pertenci aos Goliardos:
Agora porém faz-se o ouvido parco
Astros vi cujas luzes e estilhaços
Deixaram-me os cabelos eriçados.
Mas ver também enfada e hoje me escasso
O pelo ralo o olhar cinza embaçado
O corpo qual quebrado por um auto
E minh'alma indo abaixo pelo ralo
Se algo tive tomaram-me de assalto
Ou eu mesmo matei, Sardanapalo
Após tanto viver, esse ato-falho,
Que fui? Que sou? - Poeta ou Espantalho...
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