FRAGMENTOS III
Escorre-me
tinta das narinas e na boca,
cavalguei na ironia, explodi na certeza,
mastiguei
fragmento de poesia louca,
persegui os sonhos, reacendendo a
chama,
fui uma árvore, com frutos de tristeza,
com folhas murchadas de chorar o que ama.
Retalhos da vida, a minha alma é água fria,
que vai correndo saída no leito da desilusão,
dorida, cai gota-a-gota por tristes fins de dia.
Rasgo o tempo, decanto fragmento a fragmento
a sombra que arrasta uma auréola apagada,
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento.
.João Murty
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