EXTINGO UMA PÁGINA DA VIDA - II


No meu Eu! Procuro lucidez, limpando

fantasmas neste caos emocional.

Vagas de tristeza vão-se acantonando,

crepitando na minha mente!

Procuro extinguir essa chama,

matá-la no frio da espera racional.

Mas a dor que esmiuça o sentido,

persiste em queimar-me lentamente

como um beijo possuído, marcado

por bocas indivisíveis do passado.

Entre nós e o diálogo surdo, extingo

meu querer e o sórdido ultraje,

que vive na sombra da dor

e se oculta no seu negrotraje …

Quero esquecer, selar a página

de uma vida que já não sei se gostava.

Quero rir-me do que penei e passei

e de tudo o que eu amei, ou amava!

Do passado, apenas o móvel do papel e tinta

e a minha voz que ecoa no coração vadio.

Esse grito sufocado que na garganta ficou

e permanecerá nas tácitas asas do silêncio.

Legado ácido de uma aventura extinta,

que acabou na penumbra do vazio!

Entre nós e o amanhã, extingo

tudo o que existi-o, tudo o que quiseste

um amor algemado que eu não te dei,

mas que tu me deste!

João Murty

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