Houve uma noite
Houve uma noite
em que toda a coragem
de mim se apossou.
E em minhas retinas
podia se ver
o mais puro furor.
Em mim bradavam-se gritos e gemidos
como os que bradam numa flor.
Vestidos de silencio
mas que o eterno alcançou.
E das veias desta minha existência
Recolhidas nas essências
o meu ego brotou.
Emergiu-se em fim
Se rasgando de mim
O profundo deixou.
Houve uma noite
Que não mais vou esquecer
Rompeu-se o enigma
De o meu inteiro poder.
Houve a noite em que pude me ver.
Enide Santos 07/10/14
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