Noturno desértico
No deserto residente
em noite continente
sozinho sigo
viagens em desabrigo.
Saqueadas as estrelas
e a lua de aflitivo pranto
corsário de escuro manto.
Céus rangem ferrolhos
em negrumes molhos
caldo de tempestade
que sobre mim se abate
neste torrão sem vida
além da vida
que nele sinto e sou.
Um raio que desabou
reza uma prece univerbal
de clarão monoteísta.
O instante seguinte,
este,
é ateu.
Breu.
( Tuas luzes chuvosas
e mãos aquosas,
escorreram-se de mim. )
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