No âmago da batalha


No âmago da batalha
em que nela não lutas,
em que as raízes dos conflitos
não estão em ti,
em que as causas defendidas
a ti nada dizem,
mas, que não obstante,
elas te cercam, te subjugam,
te ferem, a paz te furta.
No âmago desta batalha,
de guerreiros a ti estranhos,
não, não toques a espada.
Há um campo dentro de ti
em que ações belicosas
não chegam, nada podem.
Neste campo não precisas
de defesa, dispensado estais
de todas as armas.
E mesmo que ti atinjam
Flechas e lanças,
em teu ser exposto
no espaço das trajetórias,
não se perturbe o vosso coração.
Silencie, repouse as águas.
Seja ferido, mas não firas.
Cante uma canção de vento.
Recite um poema de brisa.
Eleve-se leve em bruma.
Então, elas virão!...
As aves do amanhecer,
trazendo no bico
as chaves
da nova consciência.

402 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.