Por oração
Interdito, em mim, os altares.
Vazio, de semântico vinho, o cálice.
Anacrônicas liturgias, catedrais vazias.
Só me restou, por oração, a poesia.
Sublimado sentimento do sagrado.
Em meus rosários turvos,
constante o arado.
Eterna a charrua, perene o labor.
Trago novos ícones para velho andor.
Meu culto raro, de igrejas apartado.
Busco a Ti, a mim tens buscado.
Encontramo-nos, santuário do que sou.
Por oração, só a poesia me restou.
Nada ao Supremo peço, tudo, em versos,
derramo em gratidão, etérico servo.
Teologias, não as cultivo, voz estranha.
Minha teogonia nasce das entranhas,
de suave enlevo e terna adoração.
Só, a poesia me restou por oração.
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