AVISTO... O MEU ALENTEJO!

Avisto a grandeza da planície

No meu Alentejo!

A simplicidade... que aos olhos encanta,

A serenidade da gente, a voz que se levanta,

A aspereza das mãos...

o silêncio que tudo movimenta!


Avisto os rios e os lagos,

Os olivais e sobreiros,

Os montes e tanto gado,

Pastando o dia inteiro.


Avisto e ouço o chilrear do passarinho,

A queda das águas descendo,

Vem o sonho devagarinho.


Avisto nos galhos das árvores, o sussurrar,

O dormitar...., o amar,

Traços no céu esvoaçando.


Avisto o solo alagado,

O fumegar do bafo,

O bafo do campo gelado,

a chuva a desabar tão forte,

o telintar... esse toque...,

O tição... a brasa quente,

O amornar que se sente!


Avisto o verão ardente... calado,

O sono tão incontrolado,

O solo dourado,queimado.


Avisto a cor da primavera,

O renascer da quimera,

A luz que brilha na terra.


Avisto o Outono tão belo,

Verde, laranja,amarelo,

espelhos de água a refletir,

pinturas … a emergir,


Avisto alabaças e acelgas,

Os poejos perfumados,

Óregãos e beldroegas,

Os espargos e saramagos.


Saindo na terra gretada,

Os cogumelos discretos,

Por caminhos rudes... dispersos.


Tantos cheios e sabores

povoando a extensa paisagem,

Nas iluminadas e lindas cores

Provocadoras de imagem.


Avisto o galo a cantar

Por cima do galinheiro,

A ovelha a berrar,

E o autoritário carneiro.


Avisto o restolhar dos seres,

pelo campo a rastejar,

Entre medos e prazeres,

Nas belas noites de luar


Avisto o nascer do sol,

Esse reluzir incandescente

Que replica a poente

E pasma o sentir, da gente


Alentejo com sotaque

Que despertas humoristas

Tanta gente a invejar-te

Pela calma que lhe suscitas

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