sobressaltos
no horizonte ilha refúgio vem à mente
deliciados instantes de recolhimento
inércia almejada de cansados neurónios
por longa e intensa jornada de meios séculos corridos
construtor de castelos de sonhos frustrados fui
muralhas de fantasia em areias desérticas movediças ergui
templos prazeres orgias rodearam-me em espirais triangulares
olhos ciliares de idolatria ciúme ódio mordomia vi
elevadas pírâmides efêmeras débeis doentes subi
dantescos labirintos em desumanas labaredas atravessei
na procura de puras almas que salvei
décadas sobre décadas caminhando
perfeito Ulisses navegando minha Ilha sem regresso busquei
peregrinando sonhos ideologias a quatro continentes aportei
tudo percorri na procura de mim
agora ilhado em Ilha do sem fim
liberto nas asas das palavras insubmissas da poesia
cálices de sentimentos submersos cristalizados no Tempo
em paz transbordam de mim
Emílio Casanova, in "palavras ninguém compra".
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2011-10-12
Seja sempre esta alma que viaja em paz e descobre novos horizontes para que possamos viajar por eles sem medo de ser feliz.
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