Bônus de natal
Aos poetas fwilson, Paulo Machado, Chico Castro e Adriano Lobão.
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Emerson Araújo
Morte à reminiscência fugaz
Tão comum neste tempo de natal
E papai noel precisa de uma companheira de baby doll
E as cabras de outros apriscos ruminam, ruminam
E os cavaleiros partem no beijo de nuvens
Na doideira elétrica de Artaud.
Ah, tempo de escuridão e seus dezesseis movimentos
De frase dura, pedra desfeita na ação do esmeril
De eros farto em pele de avelã e aviamento
Farinha e café sobre a mesa de cristal e taça
Só a minha vertigem a traduzir-se
Numa parte que é transbordamento
Outra exclusão.
A primeira pessoa predomina nas folhas que rumorejam
E não quero saber da linguagem improdutiva
Nem no poema que se resolve a luz do olhar
Ou no sopro dos dedos que foi chacal e lobo voraz
O meu poema é minha fala e minha audição
O meu poema, antes, é nada, nada
E os cavaleiros partem no beijo de nuvens
Na doideira elétrica de Artaud.
Assim prefiro construir a sétima margem do rio flores
Sem ter horário fixo e londrino
O meu horário é o meu sertão
Sem neve cor de chumbo
A minha neve é a minha nódoa
E os cavaleiros partem no beijo de nuvens
Na doideira elétrica de Artaud.
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