Vida Contemporânea

Estou neste barco a quarente e quatro anos - eu!, essa alguma coisa precária entre ser humano e algo precário -, e duas imagens me chamam a atenção. Mas não possa fechar os olhos e enxerga-las, pois não enxergo o furo no barco e sem querer acabo desistido da viagem. Também nem posso toca-las, pois dormiria sem já mais poder sonhar com elas. E isso de modo algum pode acontecer mesmo, porque estou vivendo verdadeiramente um pesadelo de sonhos repetidos - caso lhes sirvam de explicação vivo a realidade do meus 22 anos de via em morte! - quantos corações selvagens, mas belos e salvadores, me deram as mãos, uns ate suplicaram para voar com minhas asas e pelo menos houve duas estrelas neste céu de rostos lindos que brilharam para mim durante todo a dia! Mas o furo - gente! - não me deixa tirar a mão de cima dele, e há também um peso de séculos de chumbo sobre mim.

Desnutro-me a cada lágrima que, como um veneno me alimenta, me misturo igual a cinza ao chão sem fogo e sem parentes a cada e adeus e não há deserto em mim sem uma flor morta ou derrubada.
Escandalosamente navego o silencio desta viagem neste barco que misteriosamente grita quando ver gente e se faz gentil. E olha e toca tudo com meus olhos sedentos de verdade, mas o utopia desses movimentos faz a mão que estar tapando o fuoro no barco, chorar o próprio mar que navega.

A visto sempre uma ou mais imagem que fortalece o que pulsa dentro do corpo, e depois sempre as perco porque covardemente cheguei-as ser um cais distante e não acreditei que meu barco pudesse alcança-las. Por medo de morrer afogado não aprendi a nadar e não posso tirar as mãos do furo para liberta-me.

Chuuuuu... ruuu e ruuuu ... - o vento cá dentro!

Plic e plic ... - a lágrima aqui dentro


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