A culpa
Meu peito dói,
Meu coração sangra,
Há lágrimas não derramadas em meus olhos.
Lágrimas de sangue, lágrimas de cansaço, lágrimas reprimidas e lançadas em forma de sorrisos vazios.
Carrego culpas demais, e mesmo assim,
Carrego menos culpas do que deveria carregar.
Minhas culpas,
Mea culpa,
Minha tão grande culpa.
Há quem me diga para deixar minhas pedras no caminho,
mas são minhas pedras, não são?
Quem sou eu sem elas?
Que são elas sem mim?
Eu e o meu mal, meu fel, meu veneno somos um só.
Sou toda um peso que carrego,
O grito preso na minha garganta
A angústia inominável de levar tanta falta, tanto desgosto, tanta causa.
Não sou ninguém que deveria ser,
Sou alguém que não deveria existir,
Culpada de resistir, de persistir, de errar, de magoar...
Deveria morrer ou viver sobrevivendo ?
O que é menos danoso pra si?
A culpa é só minha, eu sei.
Não me olhes!
Teus olhares me incomodam, me acusam, me contam coisas que eu já sei, que me envergonham...
Não sorrias pra mim!
Teus sorrisos ferem minhas mágoas, atiçam as lágrimas a rolar...
Por que dentro de mim já fui julgada e condenada,
sou o réu que espera ser punido e que sabe que não importa qual será a punição,
pois ela nunca será suficiente para arrancar os espinhos que trago em meu peito,
não apagará as culpas do meu coração.
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