Suspiro
É o botão de qualquer erva. É a flor que ninguém cheira.
Murcha, cai e o rio leva. Frio, a deixa em sua beira.
Com o vento, voa longe. Solta, cai na ribanceira.
É o pouso do pardal, sob o sol de todo dia,
lá no galho da figueira que as trevas anuncia.
Não há olhos que o notem como tema da poesia.
É a criança na calçada, encolhida, sem carinho,
cujas lágrimas caíram apontando como espinhos.
Dela, passos se aproximam, assombrando seu caminho.
É o respingo, gota d’água, só mais um na tempestade.
Pinga quieto e só inquieta quando molha a autoridade.
É perene, logo seca sem fazer qualquer alarde.
É da rocha o cascalho que se solta no aloite.
Rola a estrada, dura e crua, destroçado com o açoite.
Vira pó que some ao tempo, invisível dia e noite.
Luzia M. Cardoso
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Maculável Mulher.
Por onde tu andares , lá estarei junto ... pois sempre que precisares de minha presença - com minhas mãos estendidas te recuperarei. Se…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Haicais sentido
Haicais sentido
Jorge E. Leal
Finjo no verão,
Não ver outras estações,
E curto as nuances. …
Julian Lael
Conluios
conluios maquetas inventários nada a limpo em momento algum ó, ninguém soube dizer como o velho barco ficara na praia por décadas, e de …
Darlan de Matos Cunha