O PALHAÇO
Quando o palhaço a dor num riso esculpe-a
e transmuda-a num tênue pranto, e vence-o
sente, às vezes, aflição, uma volúpia
que o faz sofrer sorrindo ou em silêncio.
No picadeiro canta e rola e cala
ninguém sabe quem é, qual o seu nome
qual a família que a miséria embala
quais os filhinhos, muita vez, com fome.
Conta histórias, alegre... e logo finda
sorri e canta alguma coisa linda
não tinha inspiração, mas apelava.
E eu que, pasmado, tanto gargalhava
fico confuso e mais surpreso ainda
não sorria o palhaço, e sim, chorava.
Vicente Freitas
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