POEMA SEM NOME
Hoje soube que ia morrer, e supliquei
às vozes do Hades que de mim se enlaçavam
o oblívio, o preço, a ilusão da passagem
que levarei no fim, memória da viagem.
Mas as colunas douradas, que a sustentam,
no fundo da espiral, do vórtice que sou,
vibraram na vida que se escoa e nasce,
resplandecendo em pontos em que o prazer cresce,
Porque o segredo escuro que me ata, leve,
cobre a voz da sereia e atiça o lume
das vozes que do fundo sobem e me enleiam
E os laços que me ligam há minha própria morte
são fogo que me nutre e assegura a vida
dos rostos mudos do presente que me basta.
Por "Paula Lago"
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