De joelhos
De joelhos. No chão! Tu mereces ser muito bem fodida. Empurro-te as ancas a responder-me como égua de quatro no quarto em penumbra. Nesse fim de tarde, as rochas estão se rachando em fendas duras. A tua, como carne aguada, quente fissura de fêmea no cio geme por meu entrave. Não tenho sequer dó de tua carne. A bela bunda emoldura de raios de sol me convida a dançar o amor. Teus cabelos negros, lisos e inertes me imploram para viver. Puxo-te a crina com a mão esquerda e te penetro com meiguice impaciente. Teu riso de sol me transporta e agora sou teu macho alado a planar em teu universo azul. Vem juntar-se a mim nessa viagem infinda a buscar todo o prazer que contém os céus prometidos. Grita, chora, geme, reclama, proclama que teu gozo é teu, mas é meu teu gozo com gosto de amor nosso. Vira-te. Quero entrar nos teus olhos e te espreitar por dentro. Não me contenta o gozo limitado de mim mesmo em tuas fendas de carne. Quero também comer tua alma de mulher, de menina, de puta, de santa. Escuta a ti. Ouve teu gemido. Há um coro de anjos no retorno de nós. Quanto mais entro em ti, mais sou teu. Quanto mais me devora a carne fluida da imaginação, mais sou teu e tua. Não me contenta teu sofrimento de crina estendida a esticar o couro cabeludo e a mente ardendo da paixão. Reteso a palma das minhas mãos com marcas de mim mesma. Espanco-te as nádegas para te castigar por teres roubado minha vontade de nada ser. Sei que teu gozo vem galopando de encontro ao meu. Seguro algo em mim a te esperar meu doce amor. Não estás como a menina dessa manhã de hoje a transparecer o medo de viver. Estás como Deusa, como Maria Quitéria, como Bárbara de Alencar, como Afrodite em teu reino a reinar. És tão linda que dói dentro de mim essa beleza de ti. Estás tão deliciosa que passaria anos num deserto a jejuar para esperar a tua carne e devorar. Teu corpo padece com as estocadas e a força da minha surra. Goza meu amor. Goza tudo. Meu presente de amor para ti nessa tarde de nós dois...
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