PEGADAS
IA FAZ TANTO TEMPO QUE NEM ME LEMBRO
DA ROSA QUE NO VENTO DESPETALOU
DA GAROA QUE CAIU E MOLHOU A ESTRADA
DA MADRUGADA DE LUA CHEIA
DA ARANHA QUE NA TEIA TECIA SEM PARAR
DAS ONDAS QUE ARRASTAM OS BARCOS PARA
ALTO MAR
DA PROFUNDEZA DESTE RIO QUE PASSA
DA PRAÇA CHEIA DE FLORES
DAS CORES DOS OLHOS TEUS
DO BEIJO QUE ME DEU
DESTA RUA VAZIA E CHEIA DE ENCANTOS
DOS NAMORADOS NOS BANCOS
EM LONGOS ABRAÇOS A SE BEIJAR
DAS PEGADAS QUE DEIXOU POR ESTES
CAMINHOS
E QUE EU NUNCA CONSEGUI ENCONTRAR
DAS NOITES QUE SE FORAM
DAS ESTRELAS QUE SE ESCONDERAM
DOS PÁSSAROS QUE ADORMECERAM
DA CORUJA QUE PIA SEM PARAR
DO GALHO SECO CAÍDO POR SOBRE A PONTE
DA FONTE QUE A MUITO IA SECOU
DA SAUDADE QUE ME DEU QUANDO EU
TENTAVA TE ESQUECER E VI QUE VOLTOU
DAS LAGRIMAS QUE IA SECARAM
DAS RUGAS QUE O MEU ROSTO CRIOU
DE TANTOS E LONGOS ANOS QUE SE PASSARAM
E VER APESAR DE TUDO BEM LÁ NO FUNDO
MEU POBRE CORAÇÃO... SEMPRE TE AMOU.
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