Historieta
Há nesta cidade camas
onde jamais tornarei
a me deitar.
Há nesta cidade
moças de lábios avermelhados
que jamais tornarei a beijar.
Há nesta cidade
faces encharcadas
que minhas mãos nunca mais
irão enxugar.
Vozes que irão
sussurrar segredos
aos ouvidos de um
outro alguém.
Peles que irão
se arrepiar ao
toque de outras
mãos.
Minha imagem
se torna um borrão
insignificante
na mente dessas moças
que hoje sorriem,
e é um riso verdadeiro,
puro,
e feliz-
sem o peso em
seus calcanhares.
Há nesta cidade
alguém que caminha fitando
o chão,
de semblante triste,
pensando em moças
que um dia foram
tudo em sua vida-
e que hoje são a razão
deste poema,
de todos que vieram.
Que virão.
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