É esse peso sobre
o peito, insuportável
e doloroso
como a pressão no
fundo do mar.

É o que me mata
mentalmente e me
torna menos que as
cinzas em um cinzeiro
que transborda,
o que me faz
socar o espelho
por não suportar
minha cara de idiota.

Colide em mim
a vontade de gritar e
a vontade de permanecer
dentro do silêncio
inalterado da rejeição.

Eu estou cada vez
mais desesperado,
e a insanidade bate à
minha porta todos os dias,
permito que entre e
atravessamos juntos
madrugadas que parecem
não ter fim.

Sob o efeito da paranóia
eu trilho esse caminho
sem volta,
fumando sem parar,
tentanto não enlouquecer
completamente.

Ouço o triste blues
que soa pelo rádio
e então não estou
sozinho afinal:
somos milhares,
milhares de almas e
corações dilacerados
pela covardia de pessoas
que não sabem o que é
amar.

Vivo essa tragédia
que nunca
parece chagar
ao fim, mas eu,
cedo ou tarde chegarei...

se já não cheguei.

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