A víbora
Sei que definhas enquanto te vingas,
víbora pérfida e atroz.
Em espumante obstinação praguejo-te e ultrajo-te a madre.
Ainda sinto o palpitar da ferida;
gemidos febris, assombrosas alucinações
perturbam-me a cabeça úmida e entorpecida.
Corpo convulso;
imagem pálida, informe e confusa a rodopiar.
Como te comprazes, oh besta perversa,
no ranger dos dentes sempre que não encontram na boca seca a língua inquieta a fim de mordê-la!
Por que me desampara o cobertor caído fora da cama?
Porventura, vendo-me cair em desgraça associou-se à ela?
Rá, rá, rá! Lá está ela, a maldita serpente, fitando-me, fitando-me,
com suas presas peçonhentas agarradas ao meu calcanhar!
Rá, rá, rá! Lá está ela, a maldita serpente, fitando-me, fitando-me,
com suas presas peçonhentas agarradas ao meu calcanhar!
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