E assim se morre, afeto às ilusões
pelas brumas em que nos perdemos,
junto a este rio que corre, cheio
e levando as mágoas até à Foz,
onde afinal tudo começou
e tudo se perdeu, o que havia de nós
apenas vago e dilacerante,
iniciou-se precisamente pelo fim
sem nunca se elevar a montante,
estas águas impróprias, cheias de lixo,
de excreções emocionais que são mágoas,
de voluntarismos sentimentais
com que a alma de um se enganà si própria,
as águas podres onde ébrio se voluntaria,
aquele amor, para em seguida se afogar
na imensa poluição da sociedade
sem glória, sem verdade.
Filipe F. Costa 2016
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