Ser Poeta Pode Ser
Nascer todos os dias e morrer sempre à noitinha,
Uma cabrinha a pastar com os lobos a deambular,
Vaguear todo o dia mas voltar sempre à tardinha,
Montar um cavalo selvagem sem nunca o amansar.
Amar ardentemente sem o fogo conseguir apagar,
Naufragar na tempestade para vir morrer na praia,
A tristeza triste duma criança órfã a soluçar,
Quando uma pobre catraia no mar se espraia.
Uma garrafa vazia à tona com a maré,
Uma caixa de música com a corda partida,
Uma mulher bonita no meio da ralé,
Um teólogo velho e de alma perdida.
O segredo dos Deuses à solta no manicómio,
Mil prisões e toda a fúria nelas contida,
Um adolescente carente à beira do promontório,
Uma fonte do caminho de água esquecida.
A solidão atroz das multidões em corrupio,
Lamentos e consolos sofridos afim,
As andorinhas na Primavera morrerem ao frio,
Esperar pacientemente a Morte ao fim.
Lx, 12-9-2001
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*