Silêncios vespertinos




Medra o rumor das águas

enquanto por ti caminho

vespertino

diluindo as escuridões do mundo

rompendo pela alva

tão copiosamente

revelando-te os segredos

num punhado de versos inacabados

  • Conciliei minhas orações

repetindo-te a existência inédita

dos nossos seres religiosamente

intuitivos

sagradamente cativos

  • Mostrei-te os salmos declamados

no périplo da vida andante

alimentando o pasto da nossa fé

mais perseverante

decretando pelas ruas deste destino

um rugido travesso

partindo nas carruagens do tempo

itinerante

convertendo até as sombras num silêncio

final, perpétuo e revigorante

  • As datas nos dias extinguiram-se

embrulhando sossegadamente

uma hora que ficou perdeida

no tempo

  • Restou o senso da noite despertar

para nós de espanto

enquanto contigo

à luz excelsa de um desejo

regámos a esperança que ressuscita

numa súbita brisa escrita no

Evangelho do nosso encanto


Frederico de Castro

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