Frio e escuro
Não percebo nada mais que o frio e o escuro,
Não me é possível emergir sem você.
Não entendo as (des) necessidades da vida.
Vejo-as infiltrando-se com gana do extermínio
Todas as razões para alegria,
Não serão o bastante se não o tenho.
E esta é a primeira dentre todas a se ir.
O sorriso faz descaso de qualquer motivo.
Quanto à vontade, esta é perseguida acuada, abatida.
O frio do escuro, o escuro do frio, são propícios ao momento
Só há uma espécie de gloria no fétido horror que permuta cada hora.
Nada é mais belo e prazeroso que o saber
Que não sou se não tenho você.
Enide Santos 09/04/16
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