Epitáfio

Se eu amanhã findar,

Digo, se amanhã nada brotar em mim.

Quero-vos dizer meus filhos

Que a morte, resignada, me leva inteiro!

Exatamente como ousei ser!

Não me arrependo

Resplandecentemente de nada

Pois voei no éter com as asas

Quais raizes, que vos deixo!

Não me choreis, portanto!

Chorai sim, pelos que virão vertendo.

Lágrimas despidas singularmente retilíneas,

Contemplando serras desfolhadas de trovas,

Dosséis vazios de insaciabilidade,

Rios famintos de desassossego,

Em passada trémula, desamparada.

Por entre estradas de passos contados.

Levai-lhes poesia!

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