A denominada CONCERTAÇÃO SOCIAL, é um órgão institucional cuja utilidade é mais um instrumento de uso diverso que antagoniza com a verdadeira génese que esteve na base da sua criação.

Só muito pontualmente e em questões de menor importância, se encontra ali um entendimento que ilustre uma visão abrangente e despojada dos vários interesses que ali se confrontam.

É razoável esperar que aquele espaço seja um exercício continuado na procura das boas políticas, capazes de abrir caminhos comuns que sirvam de forma preferencial a sociedade no seu todo.

Ao longo dos anos foi-se acentuando um óbvio afastamento ao debate político ali produzido, até porque, os entendimentos conseguidos nunca mobilizam os portugueses.

As razões que sobram desta apreciação negativa, resultam da convicção de que a Concertação Social é tão só um alibi que serve os governos e as suas políticas e nunca um espaço de diálogo onde vingue a supremacia das boas ideias.

Não é raro vermos as várias entidades representadas, manifestarem o seu acordo em questões reputadas de importantes, como seja o famigerado SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL.

Porém, todos de acordo ou quase, logo percebemos que não chegaremos a parte alguma, ou porque, uns querem já..., outros depois das eleições europeias... e... mais alguns lá para 2015.

Apesar deste malabarismo, da UGT à CIP, passando pela CCP e pela CAP e outros, eles querem e consideram absolutamente justo este acréscimo de 15 euros, porém, não sabem ou não o querem fazer.

As Confederações Sindicais jogam sistematicamente na expectativa, conscientes das perdas que vêm sofrendo e o consequente enfraquecimento do movimento sindical.

É neste contexto que se enquadra a semântica negocial entre estas e os representantes patronais, conquanto é por demais evidente o grande esforço feito ao longo dos anos pelo patronato para condicionar a aproximação dos trabalhadores ao sindicalismo.

A mensagem que tem passado para o exterior da Concertação Social, sugere-nos um vasto entendimento quanto à necessidade de se atualizar o salário mínimo, apesar das vastas contradições que as experiência do dia a dia nos confrontam.

À luz de acontecimentos que todos conhecemos, como o trabalho a tempo parcial ou mesmo o do horário a tempo inteiro com salários a rondar os 300 euros, ou ainda o despedimento sem dó nem piedade da empregada que ousa engravidar, mesmo que esconda o seu estado, chegará o momento e a hora do desemprego.

Se, por outro lado, quisermos despedir sem justa causa, aí a Concertação Social descobre o entendimento rápido e necessário, por forma a não indemnizar os injustiçados. Não é para logo, não é para amanhã e muito menos para 2015, É AGORA.

A Concertação Social é uma cortina de fumo. È uma mentira.

Não há LIBERDADE sem emprego. Não há LIBERDADE sem salário. Não há LIBERDADE com fome. Não há LIBERDADE sem acesso à saúde. Não há LIBERDADE sem educação. Não há LIBERDADE sem solidariedade social. Não há LIBERDADE sem direitos.

SEM LIBERDADE NÃO HÁ DEMOCRACIA. NÃO HÁ 25 DE ABRIL.

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