Reflexo
Fruta que se desintegra
Tem tudo de poema:
Pequenos pêlos, inúmeros cheiros
E uma noite muda
Em muda decomposição.
Fruta-bicho desarquitetando a vida
Silenciosa dilaceração
Saliva, susto, sublimação.
Será de bicho ou fruta esse cadáver em solidão?
É tanta melancolia em seu corpo
Tanta ausência em seus odores
Que me confundo no espelho.
Em vez de fruta é a mim que vejo:
Catedral vazia de amores
Turva simetria do desejo
Sem rastro, sem porta ou fecho.
Ela e eu apodrecemos no soneto
Fruta-abcesso, bicho-obsessão:
Loucas rimas da mesma solidão.
Bicho da noite/mulher
Fada fruta deflorada
Que tempo esse te transfigura?
Que mecanismo te empurra?
Será o avesso do cheiro
Ou apenas tua doçura?
Tem tudo de poema:
Pequenos pêlos, inúmeros cheiros
E uma noite muda
Em muda decomposição.
Fruta-bicho desarquitetando a vida
Silenciosa dilaceração
Saliva, susto, sublimação.
Será de bicho ou fruta esse cadáver em solidão?
É tanta melancolia em seu corpo
Tanta ausência em seus odores
Que me confundo no espelho.
Em vez de fruta é a mim que vejo:
Catedral vazia de amores
Turva simetria do desejo
Sem rastro, sem porta ou fecho.
Ela e eu apodrecemos no soneto
Fruta-abcesso, bicho-obsessão:
Loucas rimas da mesma solidão.
Bicho da noite/mulher
Fada fruta deflorada
Que tempo esse te transfigura?
Que mecanismo te empurra?
Será o avesso do cheiro
Ou apenas tua doçura?
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