O TEMPO
Levantas a mão sacrossanta e pura
Por entre um suspiro e um soluço.
No turbilhão de sentimentos se aventura
Um dentre tantos neste fatal decurso.
A tinta mais incerta tu procura,
A palavra mais precisa do discurso.
O quadro em que colas a moldura
Encerra tua vida num só percurso.
A partida certa, o adeus final,
A consciência pura da recompensa.
O fim inevitável de todo o mal.
A reescrita impossível da sentença.
Tuas mãos para o alto num devir carnal
Revela-nos o tempo; não há quem o vença.
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