MARÍLIA DE DIRCEU
Eu aqui, separado do meu maior valor...
Não, não é o da liberdade ao qual me refiro...
Fui arrancado dos braços do meu grande amor;
e condenado ao degredo neste retiro!...
Sonhei de um povo sofrido, a liberdade!...
Mil vidas eu tivesse, eu as daria!...
Porém, a minha morte (é bem verdade)
é ser privado do amor que foi meu um dia!...
Lá nos campos eu conheci criatura tão sedutora
a cuidar então das ovelhas da família...
Não tem a deusa afrodite, mais encantadora
atração; do que essa, que é chamada de Marília!...
Trocamos nós dois então doces olhares;
nossas almas se uniram em um tempo breve!...
Disse-me (lançando um doce beijo pelos ares)
"vai, pede-me em casamento e seja breve"!...
Os lábios de Marília eram em tom rubro;
não sugar a doce essência, me era então cruel!..
Ao recordar doces momentos, então descubro:
não há doçura igual; mais doce mel!...
Porém, no entanto tal qual vespertino crepúsculo;
o dia se "apagou" pra mim, de forma irracional:
condenado por um governo sem escrúpulo;
de Marília, separado fui, por ordem imperial!...
Foi como se o céu se tornasse então cinzento;
antes do sol, no ocaso então de seu desmaio:
arrancada me fora, Maríia, pra meu grande tormento;
tão veloz como um relâmpago, um forte raio!...
Eu aqui, separado do meu maior valor...
Não, não é o da liberdade ao qual me refiro;
mas, sim, de minha Marília e seu amor;
então com versos doloridos, mais me firo!...
Sonhei de um povo sofrido, a liberdade!...
Mil vidas eu tivesse, eu as daria!...
Porém, não escapei à minha impunidade:
morri, pois perdi pra sempre a minha Marilia!...
Tu não verás, Marilia, por toda a vida tua,
nada mais sofrido quanto este tão sofrido enredo
de minha história; esta minha sina dolorosa, crua;
condenado a não ter o teu amor...maior degredo!..
(GERALDO COELHO ZACARIAS)
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