Silêncio em mim
Os dias passam por passar
Espero uma hora que não quer chegar
Seguem, estes olhos, os ponteiros do relógio girar
E tentam, um tanto desesperado, não pensar
Mas ali estou, num canto de um quarto qualquer
A espera do castigo que vier
Abraço o único calor que posso provar
O calor de minhas próprias pernas, exaustas de tanto caminhar
Abalo-me num semitom particular, numa canção que não sei cantar
Eu decoro suas cifras, coloro poemas com sentimentos que não sei expressar
Estou tão vazio das coisas, tão cheio de tudo
Estou cheio de palavras e ao mesmo tempo mudo.
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